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O Programa de Apoio à Investigação da Fundação AstraZeneca 2007 premiou, com um valor individual de 15 mil euros, cinco projectos de investigação nas áreas cardiovascular, oncológica, da esquizofrenia e da doença de Alzheimer.
Pelo terceiro ano consecutivo, a Fundação AstraZeneca mostrou o seu empenho no incentivo à investigação clínica em Portugal, atribuindo cinco prémios de 15.000 euros através do Programa de Apoio à Investigação da Fundação AstraZeneca. Aquando da cerimónia de entrega destas bolsas, no passado dia 30 de Outubro, Alberto Aguiar, o presidente da Fundação AstraZeneca, afirmou que «o objectivo da Fundação é ser uma referência na área da Saúde, contribuindo para a formação e educação, através do incentivo à realização de projectos de investigação».
Este ano, candidataram-se ao Programa 18 projectos de áreas muito variadas. Acabaram por vencer dois trabalhos da área cardiovascular, um da área oncológica, um relacionado com a esquizofrenia e outro sobre a doença de Alzheimer (ver tabela). «Os trabalhos eram todos de elevada qualidade, o que dificultou a decisão do júri», referiu o Prof. Ricardo Seabra Gomes, presidente do Conselho Científico da Fundação AstraZeneca.
Quanto aos critérios que estiveram na base da avaliação, o Prof. Seabra Gomes destaca «a originalidade, a instituição preponente, os trabalhos prévios do mesmo grupo, a garantia de que o trabalho será concluído, a inovação, a aplicabilidade em Portugal e o contributo para o conhecimento básico das doenças de maior prevalência na sociedade».
Aposta na prevenção cardiovascular
O projecto «Coração Jovem: estudo de prevenção cardiovascular nas escolas», coordenado pela Prof. Mafalda Bourbon, da Unidade de Investigação Cardiovascular do Centro de Biopatologia do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge, foi um dos contemplados com o apoio desta Programa.
O objectivo deste projecto é fazer a determinação dos factores de risco cardiovascular (CV) em jovens dos 16 aos 18 anos, de modo a identificar a história familiar e, assim, prevenir as doenças cardiovasculares.
Este é um estudo piloto, por isso, para já, será realizado apenas em quatro escolas da zona de Lisboa – duas públicas e duas privadas. «Mas, se tudo correr bem e houver adesão, estamos a pensar transformá-lo num estudo a nível nacional», adianta Mafalda Bourbon.
A recolha de dados para determinar os factores de risco CV passa pela aplicação de inquéritos sobre estilos de vida e história familiar e pela medição do colesterol, dos triglicéridos, da glicose, da altura, do perímetro abdominal, da tensão arterial e aferição do peso. A recolha das amostras de sangue capilar será efectuada entre o Carnaval e a Páscoa de 2008.
Coordenado pelo Prof. José António Delgado Alves, da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa, o projecto «Anti-high density lipoprotein antibodies, paraoxonase and oxidative stress: assessment of vascular risk» foi também distinguido.
Tendo começado há cerca de um ano, esta investigação já permitiu identificar a existência de anticorpos que contribuem para a diminuição das HDL («bom colesterol»). Agora, falta ainda perceber como funcionam estes anticorpos, com o objectivo de procurar novos mecanismos causadores de aterosclerose.
«Somos o primeiro grupo de investigação do mundo a identificar anticorpos anti-HDL que poderão ser um novo marcador e mais uma explicação para o desenvolvimento da aterosclerose», refere José António Delgado Alves. Este trabalho divide-se em duas partes – a identificação dos anticorpos HDL em doentes seguidos no Hospital de Curry Cabral, em Lisboa, e o estudo laboratorial Fundação AstraZeneca incentiva investigação em saúde Prof. Seabra Gomes (ao centro) e Alberto Aguiar (à direita) entregam bolsas da Fundação 10 Fevereiro de 2008 destes anticorpos, no Laboratório de Farmacologia da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa.
Mais qualidade de vida parapara doentes oncológicos
«Fala-se muito em qualidade de vida dos doentes oncológicos, mas de forma indefinida. Há que implementar um instrumento de medida e torná-lo aplicável.» Esta afirmação do Prof. Francisco Pimentel resume o objectivo principal do projecto «Avaliação da qualidade de vida do doente oncológico na prática clínica diária», a realizar, inicialmente, no Hospital de S. Sebastião (Santa Maria da Feira), em colaboração com a Universidade de Aveiro.
O instrumento a que este especialista se refere é o QLQ-C30, um questionário criado pela Organização Europeia de Investigação de Ensaios Clínicos em Oncologia. «O que pretendemos é que, na sala de espera, o doente responda a este questionário que, depois de analisado, permite fornecer ao médico os resultados antes da consulta», diz Francisco Pimentel. As várias questões deste inquérito referem-se à doença, aos sintomas, ao tratamento, ao dia-a-dia do doente, ao seu relacionamento familiar, a questões financeiras, etc.
Na medida em que é o projecto de doutoramento da Dr.ª Alexandra Oliveira, coordenado pelo Prof. Francisco Pimentel, este trabalho será desenvolvido ao longo de alguns anos. A primeira fase será para validar a metodologia de recolha dos dados e a sua análise e, depois, passar-se-á à recolha de informação para, por fim, se construir uma base de dados com «algumas dezenas de milhar de entradas que permitirão análises sólidas para além da avaliação individual».
Doença de Alzheimer e esquizofrenia em investigação O projecto «Biomarcadores da doença de Alzheimer: ligação entre homeostase lipídica e stress oxidativo», que conta com as participações do Instituto Gulbenkian de Ciência, do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge, do Hospital de Santa Maria e do Hospital Fernando Fonseca, foi também premiado. Trata-se de uma investigação que pretende determinar a influência da ligação entre a homeostase lipídica (colesterol) e o stress oxidativo no desencadear da doença de Alzheimer (DA).
«O objectivo principal do projecto é fazer a identificação e caracterização de biomarcadores da DA, que podem ser bioquímicos e/ou genéticos e permitem fazer uma distinção suficientemente precisa entre o que é o envelhecimento normal e a doença de Alzheimer. Este estudo poderá ajudar a estabelecer alguns dos factores associados à DA, permitindo a sua detecção precoce», sustenta a Dr.ª Madalena Martins, investigadora do Instituto Gulbenkian de Ciência.
Já está em curso o projecto «Estudos dos primeiros episódios de esquizofrenia e de outras perturbações psicóticas – aplicação do modelo de gestão do caso e da terapia cognitiva/comportamental para psicóticos», que completa a lista dos cinco contemplados com as bolsas.
Trata-se de um trabalho que visa «melhorar a intervenção terapêutica nos jovens que desenvolvem o primeiro episódio psicótico, através de uma intervenção multidisciplinar (psiquiatras, enfermeiros, assistentes sociais, psicólogos, etc.)», explica o Dr. Joaquim Sousa Gago, coordenador deste projecto.
Através do chamado «modelo de gestão de caso», será feita uma intervenção integrada, breve e intensiva logo no primeiro episódio psicótico, para conseguir melhores resultados e impedir o mau prognóstico da doença. «Para além de utilizar antipsicóticos, usam-se as intervenções psicológicas, com a componente cognitivo-comportamental, e as intervenções psicossociais», diz Joaquim Sousa Gago.
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